Encontro Presencial do (Per)Curso 2026.1 reúne estudantes em manhã de transmissão, partilha e alegria
- Diogo Bonioli
- há 2 dias
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No dia 13 de junho de 2026, aconteceu o Encontro Presencial do (Per)Curso de Formação Psicanalítica do ISMC, reunindo estudantes de diferentes turmas, familiares e convidados em uma manhã marcada pela alegria do reencontro, pela partilha do conhecimento e pela sustentação viva da transmissão da psicanálise.
O encontro, inicialmente pensado para acontecer no Parque da Catacumba, precisou ser transferido para o MAM Rio de Janeiro devido às chuvas. Ainda assim, a mudança de local não retirou do evento sua força simbólica. Ao contrário, permitiu que os participantes estivessem reunidos com conforto e segurança, mantendo o espírito de presença, convivência e elaboração coletiva que motivou a proposta desde o início.
Participaram do encontro Beatriz, Tatiana, Márcio Botelho de Oliveira, Clauton, Carolina, Júlio César, Raquel Almeida dos Santos, Poliana, Leonardo, Matheus Esteves Macedo, Danubia, Marcelo, Rita de Cassia, Elienes, Roberto, Manuella, Márcia Valéria Zumba Laureano Lopes, Elaine, Rosani e Denival Lima de Brito. A presença de pessoas de diferentes turmas revelou uma das marcas mais importantes do (Per)Curso: ainda que nem todos estudem juntos na mesma sala, todos sustentam, no mesmo ideal, o desejo de transmissão da psicanálise.
A manhã foi vivida em clima de alegria, acolhimento e interação. O piquenique compartilhado tornou-se um sinal concreto da proposta do encontro: cada pessoa trouxe algo de si, não apenas alimentos, mas presença, escuta, afeto, histórias e desejo de estar junto. Entre conversas, aproximações e partilhas, o encontro presencial reafirmou que a formação psicanalítica não se faz apenas pela tela, pelos textos ou pelas aulas, mas também pelo laço, pela convivência e pela experiência de estar com o outro.
Durante o encontro, o Prof. Diogo apresentou a aula “Transmissão da Psicanálise no (Per)Curso: 5 anos de caminho($)”, em comemoração aos cinco anos do percurso formativo iniciado em 2021. Antes de entrar propriamente no conteúdo, explicou o motivo pelo qual desejava que o encontro acontecesse originalmente no Parque da Catacumba. A referência às catacumbas remetia aos primórdios do Cristianismo, aos lugares de origem, resistência, memória e transmissão da fé. De modo análogo, o encontro no parque que leva esse nome seria uma forma simbólica de retornar ao início para pensar a transmissão da psicanálise em sua raiz.
A partir dessa imagem, o professor indicou que o tripé psicanalítico — análise pessoal, estudo teórico e supervisão clínica — não deve ser compreendido como elementos separados, mas como pontos que se articulam para formar uma base. É dessa base, construída com rigor, ética e desejo, que pode emergir a posição do psicanalista. No topo desse percurso, foi apresentado o passe, não como uma certificação burocrática, mas como um testemunho da passagem de um analisando à posição de analista.
Nesse momento, foi destacado que, para realizar o passe, o estudante precisa demonstrar à comunidade que é capaz de interpretar e explicar a teoria, falar de sua própria análise nos encontros como contribuição formativa e sustentar, na prática clínica, intervenções manejadas com ética, precisão e responsabilidade. Assim, o passe aparece como uma pergunta radical sobre aquilo que autoriza alguém a ocupar a função de psicanalista.
Na sequência, o Prof. Diogo trouxe exemplos práticos sobre como a ausência do tripé pode favorecer o surgimento da contratransferência e comprometer a direção do tratamento. Foram abordados erros que podem aparecer na prática analítica quando o futuro analista se deixa conduzir pela curiosidade, pela necessidade de manter relações, pelo desejo de poder ou pela vontade de socorrer o analisando. Em todos esses casos, a escuta pode se deslocar do sujeito para as necessidades pessoais do próprio analista, prejudicando a ética da clínica.
A aula também apresentou características importantes para a posição de um analista: confiança na própria escuta, capacidade de lidar com conflitos transferenciais e contratransferenciais, reconhecimento dos limites culturais e sociais, liberdade interior diante da demanda do analisando, acolhimento de emoções intensas, tolerância diante da dor psíquica e paciência diante da repetição. Esses pontos ajudaram os participantes a compreender que a formação psicanalítica exige muito mais do que conhecimento conceitual: exige análise, estudo, supervisão, ética e responsabilidade diante do inconsciente.
O Encontro Presencial 2026.1 foi, portanto, mais do que uma atividade acadêmica. Foi uma experiência de laço, memória e transmissão. Entre a aula, o piquenique, as conversas e a alegria de estar junto, o (Per)Curso reafirmou que a psicanálise se transmite também no encontro, no desejo compartilhado e na coragem de sustentar uma formação que não se reduz à informação, mas se constrói na vida, com o outro e diante do real da clínica.
Ao final, ficou a marca de uma manhã fecunda, em que diferentes turmas, trajetórias e histórias se encontraram para celebrar cinco anos de caminho e renovar o compromisso com uma formação psicanalítica séria, ética e viva.












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